segunda-feira, 9 de abril de 2007

História das cuecas


Ceroulas – Peça de vestuário que cobre o ventre, as coxas e as pernas, e usada (hoje raramente) pelos homens por baixo das calças. Essa definição pode ser encontrada na 2º edição do dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, publicado em 1986. Aurélio, um alagoano nascido em 3 de maio de 1910, usou muitas ceroulas na adolescência e tinha uma relação especial com a indumentária. E não só ele! Essa época ficou marcada em nossa história como o auge das ceroulas.

O sucesso era mundial, mas o boom mesmo aconteceu na pequena cidade de Le Cuequeé, na França, em meados da década de 20. Todos os adolescentes da pacata cidade sonhavam em ser alfaiates e em participar do Ceroulas Fashion Week, desfile anual onde eram exibidas peças exclusivas de alfaiates famosos, entre eles Jean Jacques Russeau.

Mas a vida útil das ceroulas não durou muito tempo. Durante a 2ª Guerra Mundial, um grupo de soldados japoneses e koreanos se uniram para declarar ao mundo que se sentiam desconfortáveis em lutar com a vestimenta. Tal afirmação deu origem, em 1943, à Revolução das Roupas de Baixo, que estampava o lema “Pelo bem dos pênis mundiais”. O conflito sangrento durou cinco anos e 450 mil pessoas foram sacrificadas por defender as ceroulas. O mártir da revolução foi o alfaiate James Zorba que solucionou o problema diminuindo a quantidade de tecido das ceroulas e as transformando nas conhecidas short confortable underwear ou na versão francesa sous-vêtements courts. O novo formato conquistou o público masculino rapidamente. Segundo depoimentos históricos eles tinham o conforto das ceroulas, em um modelo mais “refrescante”.

No Brasil, o novo modelo só começou a ser aderido em meados da década de 60. Segundo versão oficial, a indumentária ficou conhecida pelos brasileiros como samba-canção por causa do surgimento da bossa-nova, “o samba de uma nota só”, em referência a individualidade do membro masculino. Porém existe uma versão off the record nos morros cariocas que afirma que o nome é relacionado a liberdade que o “passarinho” passou a ter para cantar canções livremente.

A moda pegou rapidamente. No período pré AIDS, época do amor-livre, dos festivais internacionais da Música Popular Brasileira, da invenção da pílula anticoncepcional e da propagação do uso deliberado do LSD a cueca samba-canção era a preferida de 10 entre 10 homens nos anos 70. O que deu mais altivez aos pênis da época, que ficou conhecida como época de ouro do pênis.

Porém, dez anos depois, com o advento do homossexualismo, o público masculino gay sentiu a necessidade de usar algo mais apertado que evidenciasse e delineasse o formato das coxas e dos glúteos. O tema foi foco de discussão da primeira Parada Gay de São Paulo, criada pelos torcedores do São Paulo Futebol Clube em 1983.

Foi nesse momento que nasceu na pequena cidade de Piranhas, interior do Goiás, a figura de Carlinhos Beauty, que além se cabeleleiro, era estilista. Ele, auxiliado por seu amigo norte-americano James Francis Zorba Junior, criou o modelo atual apertadinho de cuecas. O que agradou não só o público gay como os homens em geral, virando uma exigência até no mercado de trabalho. A velha ceroula foi extinta, inclusive a palavra ceroula foi extinta, então não saia usando por aí. E a samba canção é usada pelos homens da modernidade em momentos específicos para liberar a tensão.

3 comentários:

Gandhi disse...

"Nossa, tá superdez o blog. Valeu, geral."

Abração para o criadores, Gandhi.

Mohammed Ali disse...

Achei um poço de criatividade!!!
Saudações

Grace Kelly disse...

Adoreeei a história da cueca!!
Esclareceu muitas dúvidas